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Juliette Revista de Cinema

Esta categoria contém 10 posts

Memórias, crônicas e declarações de amor

Na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes, antes de entrar na sala para a exibição de Viajo porque preciso, volto porque te amo, Karim Aïnouz, diretor do filme em parceria com Marcelo Gomes (de Cinema, aspirinas e urubus – 2005) e homenageado pelo festival, era assediado pelos jornalistas com aquelas perguntinhas costumeiras sobre inspiração. Eu … Continuar lendo

Play a song for me – O lirismo adolescente de Esmir Filho

Em 1975, foi lançado nos Estados Unidos o Altair 8800, primeiro computador doméstico, que conduziu à fundação da Microsoft. Neste mesmo ano, a Creem Magazine, revista norte-americana dedicada ao rock’n’roll, publicava Let Us Now Praise Famous Death Dwarves (or how I slugged it out with Lou Reed and stayed awake), entrevista bombástica que o crítico … Continuar lendo

Febre – sobre “Insolação”, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas

Não faltaram contradições ao se abordar o debut no cinema do bamba dos palcos Felipe Hirsch em parceria com Daniela Thomas, companheira habitual de Walter Salles na sétima arte mas velha comparsa de Hirsch no teatro como cenógrafa. Cult demais, disseram alguns, o filme proporciona um distanciamento do espectador, causando uma frieza contrária ao que … Continuar lendo

Cinema, substantivo: Uma breve visita ao cinema romeno

Em Polícia, adjetivo (Corneliu Porumboiu, 2009), presente na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Cristi, o protagonista, um policial em crise preocupado com sua consciência, recusa-se a fazer um flagrante em um garoto que fuma haxixe com os colegas. Para Cristi, que passou dias e longos planos peregrinando em torno de seu objeto … Continuar lendo

Imagens partidas – Sobre Abraços partidos, de Pedro Almodóvar

Em Viagem à Itália (1954), de Roberto Rosselini, Katherine e Alex (em meio a uma turbulenta crise conjugal) visitam algumas escavações em Pompeia, cidade arrasada pelas lavas do Vesúvio há dois mil anos. Enquanto percorrem o sítio arqueológico, é descoberto um casal enterrado e imortalizado pela tragédia de séculos atrás. O achado emociona Katherine, vivida … Continuar lendo

Dorothy no país das maravilhas

Dorothy, assustada, abre a porta após a aterrissagem de sua casa ao fim do tornado, descortinando-se um brilhante mundo em technicolor. Não era a primeira vez que a tela grande enchia-se de cores – entretanto, o travelling mágico que explora as reluzentes flores de plástico e depois se volta para a menina de boca e … Continuar lendo

Como se dança um baião – “O homem que engarrafava nuvens”, de Lírio Ferreira

O cantor Belchior declarou: “No nordeste, ou você descia pra São Paulo, ou subia pra São Pedro”. Nos anos 40, o pernambucano Luiz Gonzaga (1912-1989) e o cearense Humberto Teixeira (1915-1979) desceram – não exatamente para São Paulo, mas para a efervescente cidade maravilhosa, então capital do Brasil –, se conheceram e mudaram os rumos … Continuar lendo

“A teta assustada”, de Claudia Llosa

Em A teta assustada, infinitas escadarias cortam os morros pelados com gosto de pó. Por elas, segue Fausta, sempre acompanhada por alguém – ela não anda sozinha pois tem medo. Medo de uma memória que não é sua e da qual ela têm que se desprender para sair da margem e vir ao mundo após … Continuar lendo

De armas e garotas – e assim se criou a Nouvelle Vague

Em 1934, Georges Franju, que sonhava em ser cineasta, conheceu Henry Langlois, também amante do cinema – porém, este amor se denunciava não produzindo filmes, mas preservando-os: Langlois comprava clássicos desprezados do cinema mudo, os quais foram sendo armazenados em sua banheira, até que sua amizade com Franju virou uma sociedade cujo resultado foi a … Continuar lendo

À beira da piscina – Perfil de Lucrecia Martel

Falar de um cinema tão particular como o da argentina Lucrecia Martel não é nada fácil. Difícil enquadrá-la em gêneros, tipologias, redes de afinidades. Enquanto se assiste aos seus filmes, cheios de peculiaridades e sensitividade únicas, tem-se a impressão de que nada acontece. E essas sutilezas nos pegam depois, despercebidos, sem parar de pensar naquilo … Continuar lendo