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As pequeninas magias de Covi e Frimmel

Com três primorosos longas-metragens circulando apenas por festivais, a italiana Tizza Covi e o austríaco Rainer Frimmel declaram sua atração pela realidade e pelas magias do cotidiano. Fotógrafos de formação, eles assumem todas as tarefas em suas produções cinematográficas, que caíram no gosto da crítica e da audiência por onde passaram

BUENOS AIRES – Rainer Frimmel sempre foi fascinado pelo mundo dos circos. Quando era criança, ele nunca perdia as grandes caravanas que chegavam à Viena – e o que lhe interessava não era apenas o espetáculo, mas todos os valores que sentia emanar daquele universo paralelo. Já Tizza Covi nunca havia se interessado pelos circos, fossem eles de grande ou pequeno porte. Entretanto, ela teve uma experiência fascinante sob as tendas, quando começou a fotografar acompanhando uma trupe itinerante. O que a encantava era a simplicidade das pessoas, que não tinham a pretensão de ser grandes artistas ou de fazer as coisas perfeitamente, afora uma explosiva criatividade que podia nascer simplesmente da acomodação de uns óculos no nariz. Mas, o que particularmente envolveu Tizza com a vida circense foi uma aproximação com o dia-a-dia triste que cerca as trupes, que moravam em precários trailers nos subúrbios, o que exalava um deprimente estado de espírito que contradizia o que acontecia no picadeiro.

Tizza Covi nasceu em Bolzano, Itália, em 1971. Viveu em Paris e em Berlim antes de estudar fotografia no Instituto Graphische Lehranstalt, em Viena, e depois de graduada trabalhou em Roma como fotógrafa freelancer. Rainer Frimmel nasceu em Viena no mesmo ano, e estudou no mesmo instituto, sendo premiado por suas fotos em Roma, Paris e Nova Iorque. Compartilhando a vida e o trabalho, fizeram juntos fotografias em pequenos circos da Áustria e da Itália, encontrando uma vastidão de histórias, biografias surreais e cenários extremamente fotogênicos em meio a uma difícil sobrevivência que seguia pelo amor ao aplauso. E, assim, decidiram documentar uma forma de vida que míngua. Segundo Rainer, o quase desaparecimento do interesse pelo circo (do qual uma das causas é o envelhecimento na Europa) arrasta para o fim essa vida nômade da periferia, e isso precisa ser registrado. Para Tizza, o que a incentivou a fazer um filme foi a descoberta pessoal deste microcosmo, que era coberto por clichês e revelou-se extremamente diferente. Tizza e Rainer sempre foram atraídos pelo emergir do extraordinário no cotidiano. Viram no circo um lugar propício para essas manifestações, encarando assim um trabalho difícil de ser moldado livre de estereótipos, buscando afastá-lo do olhar urbano que insiste em ver o circo como algo exótico.

Dessa jornada nasceu Babooska (2005). Após uma extensa pesquisa e alguns anos de contato com uma comunidade circense – e principalmente com a família de Babooska -, criou-se uma relação de confiança que a dupla de cineastas considera fundamental para a realização de um documentário. Eles também viajaram um período com a companhia, juntando-se a eles em uma turnê, o que aumentava a cumplicidade com a trupe, já que suas precárias condições de vida estavam sendo partilhadas comgadschis (sedentários, no jargão circense), o que fazia com que os cineastas não fossem tão intrusos. A ideia inicial era registrar a vida dos integrantes de um circo; porém, o conceito original foi deixado de lado para aproximar-se dos familiares da jovem Babooska, protagonista que não dá apenas nome ao filme, mas gera todo um universo próprio ao seu redor, agregando sua família propriamente dita e a família do circoFloricicco (“Jovem, moderno e dinâmico”, como se anuncia pelos alto-falantes de um carro meio desconjuntado). Assim, para além dos problemas que costumam abalar essas companhias – que vão das dificuldades econômicas ao desmembramento de sua estrutura -, nos deparamos com as aflições de Babooska, que observa tudo com certa tristeza e melancolia, sem nunca perder a força ou abandonar a caravana. O show não pode parar.

Segundo Tizza, a família de Babooska estava acostumada à sua presença e à de Rainer, e aceitavam com mais facilidade o que vinha de fora – algo mais difícil para outras famílias. Além disso, Tizza notava que eles eram os únicos que não pretendiam atuar para a câmera, agindo da mesma maneira quando estavam sendo filmados ou não. O que impressionou os cineastas em particular com relação à Babooska foi a maneira insensível da moça, que não tinha fantasias no auge de suas 20 primaveras – que parecem ser muito mais numerosas. Babooska não espera nada de novo, além de se casar com seu namorado – com quem mantém um relacionamento desde os 13 anos – e seguir de povoado em povoado com o circo mambembe e a família. Para Tizza, essa foi a maneira que a jovem encontrou de encarar um dia depois do outro, e essa ignorância ou desprezo por qualquer esperança faz de Babooska uma moça muito interessante. Já Rainer comenta que Babooska também pode ser representante de uma geração que cresceu nos subúrbios e não tem perspectivas de mudanças positivas na sua situação. Afinal, o que faria Babooska com uma educação primária construída em uma infinita diversidade de escolas, sem uma casa para fixar-se, em uma Itália assolada pelo desemprego? A irmã de Babooska, por exemplo, consegue seguir um caminho distinto ao casar-se com alguém de fora do circo – caminho ao mesmo tempo considerado a sorte grande e uma traição.

Os cineastas queriam intervir o mínimo possível no cotidiano circense. As entrevistas não eram planejadas e eles procuravam participar de situações corriqueiras – as performances foram deliberadamente deixadas de fora pois o que eles queriam era absorver os bastidores daquilo, sem desgarrar-se da ideia de que a vida em si é mais arrebatadora que um espetáculo. O fato de ter uma equipe formada apenas pelos dois proporcionava um envolvimento que facilitava as filmagens e a imersão no cotidiano da família. Tizza explica, por exemplo, que um tripé não cairia bem na estreiteza dos trailers, sendo substituído por uma discreta e prudente câmera na mão. Rainer conta que, além da proximidade física, desenvolveu-se uma forte proximidade emocional que deixou tristeza ao final do processo. Eles faziam tarefas da comunidade, comiam juntos e Tizza, por vezes, tornou-se um ponto de contato entre os conflitos internos do grupo. Rainer e Tizza acompanharam o circo por uno e meio, e o filme se concentra entre os aniversários de 20 e 21 anos de Babooska.

Rainer e Tizza trabalham praticamente sozinhos da pré-produção à edição de seus filmes, e possuem uma pequena produtora, a Vento Films, para gerenciar seus projetos independentemente. Geralmente, eles fazem a pesquisa e a direção juntos. Enquanto Rainer opera a câmera, e assina faz a direção de fotografia propriamente dita, Tizza ocupa-se dos atores, do roteiro, da direção de som e da montagem. Segundo a fotógrafa, essa divisão é natural porque ela é mais ruidosa: é italiana e está aos gritos por todo o lado, enquanto Frimmel permanece sentado e observa tudo em silêncio, para opinar depois. Os cineastas procuram propiciar um clima para que uma tomada seja o suficiente, e também preferem trabalhar com luz natural pois querem sempre estar o mais perto possível da realidade. Frequentemente, a dupla usa uma frase que poderia se tornar o slogan de seu trabalho. “O que mais nos interessa em termos de realização cinematográfica é a aproximação documental. O que a realidade oferece não pode ser encenado”, repetiu Tizza Covi para mim quando a encontrei durante o 12º BAFICI (Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente), em abril do ano passado. A esguia e excepcionalmente bella donnaveio à América do Sul fazer parte do júri do festival portenho e apresentar uma retrospectiva de seus três longas com Rainer (que tem no currículo a direção de três filmes realizados antes da parceria com Tizza; todos de relativo sucesso na Áustria), e após a entrevista estendeu sobre a mesa um imenso mapa da cidade, perguntando-me com incríveis olhos azuis o que poderia visitar em San Telmo – sem saber que estava naquela região no dia anterior, e que hoje o tour programado seria em Palermo. Enquanto isso, eu tentava com todas as minhas inabilidades tirar uma foto dela, que me ensinava a prestar atenção no posicionamento da luz e na abertura do diafragma.

A italiana contou-me que ela e Rainer gostam de documentar uma história, e contá-la através de um documentário. “Não estamos interessados em fazer uma ‘ficção convencional’. Somos documentaristas, e nos interessa misturar documentário e ficção, mas se você me perguntar se eu quero fazer um filme 100% documental ou 100% ficção, eu sempre vou escolher o documentário, e Rainer também. E toda vez que eu assisto a um filme o que me interessa é se aquilo pôde ser real ou não. No momento que deixa de ser realidade, não é mais interessante para mim. Isso é um amor pessoal – pelo documentário e pela realidade”, afirma a cineasta.

Babooska é o segundo filme do casal. O primeiro, That’s all (2001), teve seu embrião também em um projeto fotográfico, com o qual eles tiveram a oportunidade de colocar os pés na Rússia pela primeira vez. O filme se passa em Yásnaya Polyana, pertencente à região de Kaliningrado, uma faixa de terra espremida na fronteira entre a Lituânia e a Polônia, conhecida por ser o local onde o escritor Leon Tolstoi viveu parte de sua vida, além de ser o destino para onde emigraram numerosos habitantes de diversas localidades (entre elas a Sibéria, Cazaquistão e Azerbaijão) com a intenção de ver a vida melhorar. Tizza e Rainer perceberam a riqueza das histórias do povoado e sentiram a necessidade de que suas fotografias falassem – assim, eles consideram essa estreia, com a qual eles trabalharam apenas com o tripé, um filme ‘fotográfico’, realmente fotografias falantes, cujo ritmo incorpora a lentidão do povoado.

A “escolha” de Yásnaya Polyana como locação foi algo totalmente acidental: eles chegaram ao local por meio do convite de um conhecido de Rainer, e não tinham nenhum projeto relacionado ao que viria em seguida. Acabaram vivendo seis meses neste inegável fim de mundo, e aprenderam russo para poderem conversar com as pessoas sem a necessidade de um intérprete. Assim, Tizza reforça a necessidade da confiança para a produção de um documentário – principalmente este, baseado em entrevistas nas quais seria absurda a presença de um tradutor. Para ela, o trabalho executado pelo cineasta é sobre confiança, baseado na franqueza e no estreitamento de relações. “Para mim é simples: não se pode fazer nenhum filme sem conhecer ou gostar uns dos outros. E a coisa fundamental deste filme era fazer algo sobre as pessoas que nós conhecemos e acabamos amando”, garante Tizza.

Assim como em Babooska, Covi e Frimmel fazem uma espécie de jornalismo gonzo sem nenhuma pretensão jornalística no lugarejo de três mil almas. As histórias fragmentárias são contadas em primeira pessoa por seus protagonistas: camponeses que compartilham lembranças e momentos de intimidade, convidando-nos despretensiosamente a pensar em outras maneiras de levar a vida. “Nós queríamos dar ao espectador a sensação de que ele poderia sentar-se com qualquer uma daquelas pessoas em uma mesa, sem a necessidade de informações adicionais prévias, com uma visão sem censura”, afirma ela. Uma mulher que dita o ritmo do acordeão do marido com uma garrafa e um garfo, recordações emocionadas da guerra, a perícia na cozinha, o trabalho no campo: e isso é tudo, como sugere o título – o extraordinário brotando no ordinário.

O terceiro longa da dupla, La Pivellina (ou A Pequenina, em tradução livre), é uma ficção que em nenhum momento se distancia do documentário, nessa mescla que agrada aos cineastas. Lançado no ano passado, levou o prêmio de Melhor Filme Europeu da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes em 2009 e diversos outros galardões pelo mundo, como o de Melhor Filme e Prêmio do Público no Festival Internacional de Cinema de Valdivia (Chile), e o Grande Prêmio Astúrias de Melhor Filme e Melhor Atriz no Festival Internacional de Cinema de Gijón (Espanha), ambos também em 2009.

Os diretores voltavam ao circo para retratar o mesmo universo já explorado em Babooska; porém, dessa vez, Tizza e Rainer passeiam por um terreno mais narrativo: Patty, que vive com sua trupe circense no subúrbio romano, busca por seu cão desaparecido Hércules – entretanto, o que encontra é um pacotinho cor-de-rosa cheio de cachos de aproximadamente dois anos: Asia. Patty espera pela mãe da pequenina, e decide levá-la para casa quando percebe que ninguém voltará: um bilhete desesperado no bolso da criança pede que cuidem dela por um breve período, e insiste para que a polícia não seja chamada. A intenção de Patty não é ficar com a menina, mas a relação que vai se estabelecendo entre ela, personagem tão vibrante quanto seus cabelos vermelhos; Asia, com sua simpatia nata, e os outros integrantes da família circense – Walter, o amargo palhaço alemão marido de Patty; e Tairo, jovem de 13 anos – não pode seguir para outro caminho que não seja o do afeto.

La Pivellina é um registro muito próximo ao documental; uma espécie de novo neorrealismo que reafirma as raízes dos cineastas. Apesar de insistentemente serem comparados a Luc e Jean-Pierre Dardenne, Covi e Frimmel fincam sem titubear suas influências no neorrealismo italiano do pós-guerra, e assumem apenas uma admiração pelos irmãos belgas.

Na Itália, muitas pessoas vivem nas bordas das cidades, em trailers, como os ciganos ou os trabalhadores do circo. Essa gente tem uma péssima imagem no país, vítimas de um preconceito arraigado na cabeça das pessoas de que os nômades são ladrões de crianças. A ideia inicial de Tizza e Rainer poderia seguir por dois caminhos: fazer um documentário sobre esses locais e o povo que vivia ali ou mostrar essa região agregando a ela um elemento externo, para ver através desses olhos como vivem essas comunidades. O que importava, na verdade, era expor um outro ponto de vista sobre essas pessoas, e eles decidiram por inserir algo de fora naquele espaço cotidiano. A dupla já conhecia os “atores” que trabalhariam no filme,  e que pensaram o filme junto com os diretores. Assim, o roteiro não foi baseado em nenhuma história específica, e sim na ideia de mostrar o inverso do que prega o senso comum: uma criança é encontrada por essas pessoas, e como é a reação delas frente a essa situação.

Tizza escreveu a trama com um começo e um final extremamente concretos, mas sem diálogos, o que levaria espontaneidade para as filmagens. Trabalhando com não-atores – que, afinal, eram artistas -, eles não preparam ou ensaiam as cenas: menos de uma hora antes de rodar, Tizza conversava com Walter, Patty ou Tairo e lhes dizia aproximadamente o que teriam que fazer ou dizer. Para Tizza, essa é a melhor maneira de preparar alguém que vai reviver seu próprio cotidiano, vestindo-se apenas de si mesmo, sem dar-lhe tempo de ficar matutando sobre como encenar. “Os diálogos são todos improvisados. Damos um tema e eles falam. Para nós é muito melhor trabalhar com não-atores por não precisarmos prepará-los. Não queremos que se preocupem se vão ou não poder fazer as coisas que pedimos, queremos surpreendê-los e que tudo saia natural”, continua a cineasta. A protagonista Patrizia Gerardi, conhecida da dupla há mais de dez anos, tinha voz e comportamento que recendiam à Anna Magnani, atriz italiana de quem Covi e Frimmel se revelam fãs. Para Rainer, Patty e seu marido Walter formam uma dupla extremamente forte, já que seria impossível pensar em um casal mais diferente que os dois, o que é mais um aspecto cativante do elenco.

As filmagens ocorreram no inverno, baixa temporada dos circos, e mais uma vez a equipe reduzida a dois elementos fez a diferença: os diretores viveram seis semanas em um trailer com os atores, o que os aproximou ainda mais, além de ser fundamental para adaptarem-se ao humor da pequenina, que a partir de certo momento não se importou mais com a presença da câmera. Esse processo envolveu a conquista de Asia, que tinha a liberdade de escolher suas roupas, seus brinquedos, tudo com o objetivo de facilitar seu desprendimento. Pouco a pouco ela se apegou à Patty e se acostumou com toda a parafernália presente nas filmagens. Rainer enfatiza também a confiança dos pais da menininha, que nunca estavam presentes no set, o que a deixava mais à vontade. Ele conta que o maior empecilho era que Asia dificilmente ia dormir antes das 2 horas da manhã, e acabava acordando tarde e atrasando o cronograma. Acordá-la cedo tampouco era produtivo devido a seu mau humor matinal.

Assim como em Babooska, Rainer continua filmando com a câmera na mão. Porém, nota-se que em La Pivellina a câmera é muito mais movimentada, em planos simples sempre a serviço dos personagens, enquanto em Babooska predominavam takes longos e estáticos. Segundo Rainer, um desenvolvimento pessoal que vem desde That’s all; como já dito, feito inteiramente com tripé.

A completa ausência de um arco de tensão dramática aproxima La Pivellina dos documentários da dupla: o filme reside precisamente na evocação natural e nos prazeres simples de um grupo, que desfrutam de momentos deliciosos mesmo que eles não estejam destinados a durar. É interessante como Covi e Frimmel localizam uma história tão cálida em um ambiente tão rigoroso e cinzento: não fossem os cabelos de Patty, por vezes poderíamos imaginar que estamos vendo um filme em preto e branco. Segundo Tizza, o frio anula o clichê de uma Itália ensolarada que as pessoas esperam ver: “Ao contrário, em Roma chove-se todo o tempo e o frio é insuportavelmente severo”. No calor humano que emana daquele mundo, o que poderia ser piegas afasta-se desse perigo devido à sinceridade dos diretores.

Os laços sanguíneos, e a noção de família, tão relevantes na cultura italiana, são insignificantes em todas as relações que aparecem na tela, tendo como maior exemplo a energia e a ternura que surgem entre Patty e a pivellina. Ternura, aliás, é uma palavra que descreve bem o filme, cujas sessões são pontuadas de inúmeros suspiros de “ahhh” e “ooon” da plateia a cada gracejo de Asia.

Em Gijón, o júri justificou a escolha de La Pivellina como melhor filme “por sua inaudita celebração da vida cotidiana”. Nada mais empolgante para os diretores, que na trivialidade das coxias de um circo encontraram uma magia viva e especial. Suas narrativas episódicas fazem dos pequenos e corriqueiros eventos de rotinas prosaicas uma agradável surpresa a se tirar da cartola.

Assista ao trailer:

 

 

(Publicado na Revista Beta em 20 de fevereiro de 2011)

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