Revista Brasileiros

Cobertura VII FLIP – Vida de escritor

Gay Talese dá uma aula de jornalismo

02 de julho de 2009, de Paraty

Os jornalistas empurravam-se pra garantir um lugar na extensa mesa de madeira, que provavelmente comporta mais de 40 pessoas, aguardando a chegada de um elegantíssimo senhor, impecavelmente vestido em seu terno creme, gravata amarela, camisa branca, colete de lã verde-água, com um chapéu com laço preto no entorno.

Gay Talese, 77, que veio pela primeira vez à Flip e ao Brasil para lançar seu último livro, Vida de Escritor, entrou pela sala sorrindo e, pacientemente, posou para as inúmeras lentes – inclusive a deste repórter – soando agradável, confortável, entonando sutis “Good Morning” aos jornalistas ávidos por perguntas. Porém, se os repórteres esperavam respostas diretas de um dos fundadores do new journalism – estilo jornalístico marcado pelas imbricações com estruturas literárias – ao lado de Truman Capote, Norman Mailer e Tom Wolfe – e autor do perfil que consagrou o gênero – “Frank Sinatra está resfriado” -, Gay Talese não se preocupou ao alongar-se em suas respostas, através de crônicas autobiográficas nas quais expôs as preferências enquanto profissional e algumas de suas predileções no fazer-jornalístico.

“You have to be there” (Você tem de estar lá), assinalou Gay, respondendo ao repórter que lhe questionou sobre quais as motivações para suas reportagens de fôlego, confessando que o jornalista deve, acima de tudo, ir ao encontro daquilo que quer transformar em notícia. No entanto, o tom literário adquirido em suas obras nada tem a ver com uma narrativa ficcional, mas com um prazer estético fornecido aos leitores a partir da não-ficção, da experiência que emana das vidas e que se transforma em narrativa. Os personagens são pessoas, as histórias são fatos baseadas no real: a diferença está no modo como é escrito. Talese elabora suas obras frisando que um dia poderão ser úteis a alguém e, de certa forma, ajudarão a compor parte da história.

Assim, ao longo de três respostas longas, Gay Talese fez mais do que explanar a respeito dos questionamentos. Apresentou, sem ter que dizer, o triunfo de um jornalismo que não se submete às estruturas rígidas e formais para narrar as notícias, mas que se vincula à beleza das palavras e do bem-dizer para ampliar a capacidade que possui de transformar o cotidiano.

– Hoje a festa começou cedo na tenda da Flipinha. Marina Colasante, que já escreveu mais de 40 livros infanto-juvenis, participou da Ciranda dos autores na companhia de Nilma Lacerda e Nina Silva.

– Os mochileiros começam a chegar em Paraty. Além dos turistas que vêm à cidade histórica acompanhar a Flip, um número imenso de jovens estrangeiros circula aos pelas ruas de pedra.

– Se você não vai à Flip, a Flip vai até você: mesmo em um simples passeio descompromissado por Paraty, as “flipetes” vêm te declarar uma poesia.

(Cobertura publicada no site da Revista Brasileiros. Você pode ver este texto aqui. Escrito em parceria com Isaac Pipano e Luiz Guilherme Stifter)

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