Revista Brasileiros

Cobertura VII FLIP – Manhã de Flip bem-humorada

Duas mesas com temas completamente diferentes, mas com a alegria em comum

02 de julho de 2009, de Paraty

O bom humor tomou conta do início da Flip nas duas mesas da manhã desta quinta-feira (2). A primeira delas, Novos traços, reuniu cinco jovens amigos de outras rodas: os quadrinhistas Rafael Grampá, Rafael Coutinho (ou “o filho do Laerte”) e os irmãos gêmeos Rafael Moon e Gabriel Bá, além do escritor e designer Joca Reiner Terron na mediação. Em um clima de descontração, a leitura que os quadrinhistas fizeram de suas histórias foram marcadas por muitos “pof”, “zoom”, “wowwwwwww” e muitas outras onomatopeias que divertiram a plateia. Os quadrinhistas em cena representam a nova geração que está alçando a produção brasileira de quadrinhos a novos voos, entre eles o reconhecimento no mercado internacional e a aquisição de prêmios, como o Eisner, de importância sumária no mundo dos quadrinhos, com o qual Bá, Moon e Grampá foram laureados em 2007 com a coletânea 5.

Deixando um pouco de lado a questão “quadrinho é literatura?”, que rodeou a Flip quando saiu sua programação, a conversa se focou nas trajetórias dos quadrinhistas: como tudo começou e os projetos atuais. Porém, um ponto em comum entre escritores e quadrinhistas não pôde deixar de ser comentado: quando Grampá foi convidado pelos gêmeos para desenhar com eles, ouviu a seguinte máxima: “Ganhar dinheiro pra quê? Vem fazer quadrinhos!”, o que tirou risadas do público.

Mas a diversão foi garantida mesmo pelo veterano Domingos Oliveira, dramaturgo e cineasta de obra extensa que foi o centro das atenções na mesa 2, homônima a um de seus filmes, Separações. O mediador Paulo Roberto Pires e Rodrigo Lacerda, o outro convidado do debate, bem que tentaram, mas Domingos e seus insightstragicômicos foram tão brilhantes que a conversa tomou o rumo que ele queria: em vez de falar do fim do amor (tema que alimenta a maioria das artes), falou-se do amor, assunto que Domingos domina muito bem, obrigado.

O cineasta começou lendo um texto que havia escrito especialmente para a mesa, de tom completamente autobiográfico: “Mesmo após fazer um filme sobre separações, me casar e me separar cinco vezes, eu não sei o que é isso”. Domingos, cujos óculos escorregavam do nariz a todo instante, fez indagações (as quais ele não encontrou respostas plausíveis) sobre o tema, citou Dostoiévski e a liberdade, comparou o amor com a morte e falou de seu novo filme, Inseparáveis – continuação de Separações (2002).

Seu discurso encantou ao falar o que todo mundo sabe e ninguém sabe explicar – o que fez com que todos os presentes no auditório e no telão se identificassem, desde os mais jovens estudantes até os mais velhos intelectuais. Afinal, como diria o apaixonado escritor Caio Fernando Abreu (1948-1996), “o bicho homem não faz outra coisa a não ser pensar no amor. Até as relações de produção, a luta de classes, a ecologia, o jogo pelo poder: tudo, questão de amor” – o que Domingos, com sua voz arrastada, confirmou nesta manhã de maneira muito espirituosa.

(Cobertura publicada no site da Revista Brasileiros. Você pode ver este texto aqui. Escrito em parceria com Isaac Pipano)

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